A alegria de um autista, que é resgatada por alguns momentos, graças a um violão forasteiro. O garoto brilha, cresce e exibe o sorriso preso nas dobras da sua deficiência, que a magia da música traz à superfície.
Seleção da Equipe Comentada
De uma ciência transdisciplinar à clínica inspirada na Psicologia Arquetípico-Simbólica de Carl Gustav Jung.
Enfim, o Chapeleiro._________________________________
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez,
nas águas.
Estás nu na areia,
no vento...
Dorme,
meu filho.
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As Rainhas me causaram interesse particular, pois se inicialmente houve tendência natural em escolher uma para poder combater mentalmente a outra, tal oposição carecia de argumentos maiores que a tentativa vã de uma mente despreocupada a entreter-se._________________________________
O coração,
se pudesse pensar,
pararia.
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O Gato que acompanha os personagens em momentos fatídicos causa certo desconforto: parece apático ao restante dos acontecimentos, imerso em anseios próprios e desconhecidos. Assemelha-se ao acaso do destino a correr indiferente entre os minutos, sem perguntar as horas ou se preocupar com os cabelos brancos que marcam o fim e o começo daqueles que o cercam._________________________________
O artista olhou a tela em branco
E com quatro cores
Criou o infinito
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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)
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O coelho da Alice, o mesmo coelho do Matrix, o objeto que na rotina chama-nos a atenção podendo não chamar; o acaso torpe que, por casualidade do destino toma-nos de súbito de modo a podermos mudar drasticamente de direção; o absurdo: o coelho de colete e relógio no bolso que poderia ter passado despercebido, mas não o fez. Este há de ser novo símbolo no que tenho visto antes com intuição do que com meus próprios sentidos.______________________
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
(Fernando Pessoa)
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O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para adiante naveguei.
(Fernando Pessoa)
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O filme começa com o que parece uma reunião de negócios envolvendo o pai de Alice, em uma sala aconchegante de sua casa. O cenário corresponde à residência abastada de um burguês em ascensão na Inglaterra em meados do século XIX. Não observamos nenhuma figura feminina, e os tons do ambiente não são outros senão tons escuros e sem vida. A monotonia transitória é quebrada pela aparição de uma figura jovem, pálida e assustada, imersa em uma camisola longa e branca: Alice procurava seu pai pois estava tendo um pesadelo.
Nossos sentidos trabalham com opostos, de modo que o branco existe, pois existe o negro; não contemplamos de costume a coisa sem que tenhamos projeção mental da não-coisa. A identificação inicial de contrastes torna qualquer objeto de interesse mais tangível, menos remoto; a arte mais abstrata, ganha concretude se comparada: os traços de Magritte ganham mais sentido se vistos à sombra do mais concreto Dali.______________________
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias
inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
(C. Drummond de Andrade)
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E agora, José?
(...)
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?
(C. Drummond de Andrade)
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Tendo iniciado sua jornada sem saber que a jornada iniciava, a jovem Alice adentrou em terreno já antigo, no espaço secreto onde outrora transitava livremente e o terreno antigo pode ser palco para a fatídica viagem. No cume incerto do topo do mundo a tangenciar a além do mundo, a protagonista pode enfim imergir-se em si mesma e cavalgar os primeiros momentos de sua batalha que, como disse uma paciente minha, haveria de ser marcada por crescimentos e encolhimentos, superações e perdas: remodelação, metamorfose. A Alice que adentrava os negros portões de sua mente marchava ao encontro da libertação de si mesma, rumo ao poder vir a ser algo maior que seu ego. A Alice que se tornava gradativamente Alice viria a matar o dragão, a cobra-alada, mas não sem antes sacrificar-se em prol de algo maior, do transcendente em que, mesmo sem conhecer, acreditava.______________________
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
(Fernando Pessoa)
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Sem ter a pretensão de uma análise técnica detalhada, que fugiria à minha competência, tem este breve relato como objetivo outro, menos audacioso vale dizer, ainda que notoriamente desafiador, apresentar algumas impressões do Filme Alice (TIM Burton, 2010) em comparação com outras vivências de caráter absolutamente particular que, em maior ou menor grau, parecem-me caminhar em direção semelhante àquela do primeiro objeto de estudo.
A Liga de Neurociências da Santa Casa promoveu no dia 13 de agosto das 17 às 19h uma mesa redonda para a discussão do filme Tempo de Despertar.
Esse filme foi homenagem ao diretor Stanley Kubrick, já falecido, autor do projeto "Superbrinquedos Duram o Verão Inteiro"
A Comentada apresentou sua Sessão de Cinema com o devastador filme de Vadim Perelman.