De uma ciência transdisciplinar à clínica inspirada na Psicologia Arquetípico-Simbólica de Carl Gustav Jung.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Médicos do Sírio e do Einstein abrem clínica
Bem na entrada da
favela de Heliópolis, entre uma agência bancária e uma loja de departamentos,
desponta uma clínica médica que só realiza consultas particulares. Não vale
convênio, tampouco cartão do SUS.
Quem passa ali,
estranha. Muitos moradores custam a ter coragem de entrar. Só perdem o medo na
medida em que o boca a boca se espalha ou quando leem um cartaz bem à frente do
portão que informa, em linguagem clara e direta, o valor das consultas: R$ 40
para clínico-geral e R$ 60 para qualquer uma das dez especialidades oferecidas,
que pode ser dividido em duas parcelas.
"Quem disse
que essa população não pode ir ao médico particular?", questiona o criador
do Dr. Consulta, Thomaz Srougi. Ele se refere ao seu público-alvo: gente sem
plano de saúde e cansada das filas dos postos públicos. O perfil exato dos
moradores da maior favela da cidade.
Para atendê-los, a
estrutura é simples, porém bem equipada. Nos consultórios - separados por
divisórias de fórmica e com cadeiras de plástico -, há equipamentos caros, como
o usado em exames oftalmológicos e o de ultrassonografia, além do
eletrocardiograma. Em casos mais sérios, em que seja necessária a internação,
os pacientes são encaminhados ao hospital público.
O atendimento é
feito por uma dúzia de médicos, todos formados em universidades conceituadas e
integrantes do corpo clínico de hospitais de ponta, como o Sírio-Libanês e o
Albert Einstein. O diretor da clínica, por exemplo, é Cesar Camara, indicado
por Miguel Srougi, um dos urologistas mais conceituados da cidade e pai de
Thomaz.
Na quarta-feira
passada, Cesar saiu de Heliópolis e tomou o metrô Sacomã em direção ao Sírio,
para atender um dos seus pacientes. Em seu consultório, a consulta custa R$
450, sete vez o que pagou cada um dos dez pacientes atendidos naquela tarde.
"Engajei-me no
projeto porque consigo garantir um atendimento humanizado. Tem consultas em que
levo 40 minutos, mesmo tempo que pratico no consultório particular, o que seria
impossível na realidade dos convênios."
Todos os médicos
dali já haviam atendido por planos privados e recebem em Heliópolis o mesmo que
ganhariam em um convênio: cerca de R$ 40 por hora. A diferença é que estão
livres das conhecidas metas de atendimento que encurtam as consultas a cada
dia. "Selecionamos os médicos por esse perfil humanizado. É importante
serem egressos das melhores universidades, mas isso não basta", diz Cesar.
De longe. Mesmo que
a maioria do público não se atente ao nome do Sírio-Libanês costurado no jaleco
do urologista - "a população daqui nunca ouviu falar do hospital",
brinca Cesar -, já começa a pipocar por ali um ou outro paciente vindo de
longe. Dia desses, Cesar atendeu um homem que havia se locomovido do Paraíso
(bairro de classe média alta e a pelo menos meia hora de distância, de carro).
Se a pessoa tinha
ou não dinheiro para pagar mais pelo atendimento, não interessa, diz Thomaz.
"Essa procura é boa. Sinaliza que há muito espaço de crescimento."
Desde sua
inauguração, em agosto de 2011, a clínica tem crescido 40% por mês e hoje
realiza 600 procedimentos a cada 30 dias. A conta ainda não fecha porque houve
investimento de cerca de R$ 1 milhão em estrutura, mas a receita tem aumentado
à medida que a população descobre o local. Dos 300 mil habitantes da
microrregião, só 10% conhecem a clínica, segundo pesquisa encomendada por
Thomaz.
Nos sonhos do
administrador, ele vê uma clínica em cada um dos 96 distritos da capital. Só
para garantir o público, as próximas unidades devem ser instadas em bairros
periféricos, como Itaquera e São Miguel Paulista, na zona leste.
"Inspirei-me em projetos parecidos em países como Guatemala e México.
Testei, adaptei e agora quero crescer, sempre seguindo essa lógica simples, de
gerar renda ao mesmo tempo em que agrego um valor muito importante à
população."
Fonte: O Estado de S. Paulo | 22/07/2012 08h39
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,medicos-do-sirio-e-do-einstein-abrem-clinica-particular-em-heliopolis,903810,0.htm
domingo, 3 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
La Loba, a Mulher-lobo
Existe uma velha que vive num lugar
oculto de que todos sabem, mas que poucos já viram. Como nos contos-de-fadas da
Europa oriental, ela parece esperar que cheguem até ali pessoas que se perderam,
que estão vagueando ou à procura de algo.Ela é circunspecta, quase sempre cabeluda e invariavelmente gorda, e demonstra especialmente querer evitar a maioria das pessoas. Ela sabe crocitar e cacarejar, apresentando geralmente mais sons animais do que humanos.
Dizem que ela vive entre os declives de granito decomposto no território dos índios tarahumara. Dizem que está enterrada na periferia de Phoenix perto de um poço.
Dizem que foi vista viajando para o sul, para o monte Alban, num carro incendiado com a janela traseira arrancada.
Dizem que fica parada na estrada perto de El Paso, que pega carona aleatoriamente com caminhoneiros até Morelia, México, ou que foi vista indo para a feira acima de Oaxaca, com galhos de lenha de estranhos formatos nas costas. Ela é conhecida por muitos nomes: La Huesera, a Mulher dos Ossos; La Trapera, a Trapeira; e La Loba, a Mulher-Lobo.
O único trabalho de La Loba é o de recolher ossos. Sabe-se que ela recolhe e conserva especialmente o que corre o risco de se perder para o mundo. Sua caverna é cheia de ossos de todos os tipos de criaturas do deserto: o veado, a cascavel, o corvo. Dizem, porém, que sua especialidade reside nos lobos.
Ela se arrasta sorrateira e esquadrinha as montañas e os arroyos, leitos secos de rios, à procura de ossos de lobos e, quando consegue reunir um esqueleto inteiro, quando o último osso está no lugar e a bela escultura branca da criatura está disposta à sua frente, ela senta junto ao fogo e pensa na canção que irá cantar.
Quando se decide, ela se levanta e aproxima-se da criatura, ergue seus braços sobre o esqueleto e começa a cantar. É aí que os ossos das costelas e das pernas do lobo começam a se forrar de carne, e que a criatura começa a se cobrir de pêlos. La Loba canta um pouco mais, e uma proporção maior da criatura ganha vida. Seu rabo forma uma curva para cima, forte e desgrenhado.
La Loba canta mais e a criatura-lobo começa a respirar.
E La Loba ainda canta, com tanta intensidade que o chão do deserto estremece, e enquanto canta, o lobo abre os olhos, dá um salto e sai correndo pelo desfiladeiro.
Em algum ponto da corrida, quer pela velocidade, por atravessar um rio respingando água, quer pela incidência de um raio de sol ou de luar sobre seu flanco, o lobo de repente é transformado numa mulher que ri e corre livre na direção do horizonte.
Por isso, diz-se que, se você estiver perambulando pelo deserto, por volta do pôr-do-sol, e quem sabe esteja um pouco perdido, cansado, sem dúvida você tem sorte, porque La Loba pode simpatizar com você e lhe ensinar algo – algo da alma.
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Participe dos nossos Encontro com as "Mulheres que Correm com os Lobos":
neste mês de junho discutiremos LA LOBA.
Para mais informações acesse: http://www.comentada.com/
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